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Monção: Vem aí um espetacular mural com 11 metros de altura

Monção

Monção: Vem aí um espetacular mural com 11 metros de altura

Vai ter 11 metros de altura e oito metros de largura. O novo mural artístico de Monção promete surpreender no próximo sábado, dia 25 de abril.

 

Está a ser concebido numa das laterais de um prédio, na Rua Plácido de Abreu, próximo do Tribunal.

 

 

Novo mural vai ocupar uma lateral inteira de um prédio

[crédito fotografia: arquivo/Google Maps]

 

 

Terá a assinatura de Daniel Eime. Com 40 anos de idade, é um conceituado artista visual e de rua português. Natural das Caldas da Rainha, é especialista na técnica de stencil.

 

Reconhecido pelos seus murais de grande escala, Eime mistura stencil, dripping e realismo para criar retratos detalhados e enigmáticos, muitas vezes focados em rostos do quotidiano.

 

Com percurso iniciado no graffiti aos 16 anos, evoluiu para a arte urbana e é um nome notável no panorama da arte de rua em Portugal e na Europa.

 

A sua obra pode ser encontrada em várias cidades, sendo notáveis os seus trabalhos no Porto.

 

Sabe-se já que o mural em Monção vai ser uma homenagem aos 160 anos do nascimento de João Verde, poeta, jornalista e nome maior das letras monçanenses.

 

João Verde

[crédito fotografias: DR]

 

 

Nasceu com o nome de José Rodrigues Vale, no dia 2 de novembro de 1866, em Monção. Foi secretário da Câmara Municipal de Monção, desde 22 de julho de 1891 até à data do seu falecimento.

 

A vida literária de João Verde distribuiu-se pela criação poética em verso e em prosa e pelo jornalismo, publicando textos seus nos jornais “Aurora do Lima”, “A Terra Minhota”, “Alto Minho”, “Monsanense” e “Independente”. Em 1901, funda “O Regional” (1901 – 1918).

 

João Verde estreou-se na poesia com a publicação de “Musa Minhota”, 1887, seguindo-se “N`Aldeia”, 1890.

 

A sua obra mais conhecida, “Ares da Raia”, foi impressa em Vigo e lançada em 1902. A tiragem foi de 700 exemplares, 500 para Portugal e 200 para a Galiza. Por incluir dois poemas em galego, João Verde foi inscrito, mais tarde, na catedrática Santiago de Compostela como o XV poeta galego. Esta publicação reúne duas dúzias de poemas repartidos por cinco capítulos.

 

Entre estes, ficou para sempre o emblemático poema que quase todos os monçanenses recitam de cor e salteado, intitulado “Vendo-os assim tão pertinho”.

 

 

«Vendo-os assim tão pertinho,

A Galiza mail’o Minho

São como dois namorados

Que o rio traz separados

Quasi desde o nascimento.

Deixalos, pois, namorar

Já que os pais para casar

Lhes não dão consentimento»

 

 

João Verde continua vivo na memória de todos os monçanenses através das reedições em poesia e prosa das suas obras, do busto em bronze e mural com o referido poema , na Avenida General Humberto Delgado, conhecida como Avenida dos Néris, do nome atribuído à principal sala de espetáculos de Monção, Cine Teatro João Verde, bem como na designação da ponte internacional entre Monção e Salvaterra de Miño: Ponte Internacional João Verde/Amador Saavedra.

 

O poeta faleceu a 7 de fevereiro de 1934, em Monção. Tinha 67 anos.

 

O novo mural vai ser inaugurado no próximo sábado, pelas 12h00, após a Sessão Solene do 25 de abril.

 

 

 

[crédito fotografia capa: Rádio Ecos da Raia]

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